Porque quem ama tem medo de perder...

Este blog é para quem gosta de amar, de lutar pelo que gosta...







quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Caule



Foto by Vida de Papel


A raiz cresce,
O caule endurece,
As primeiras folhas aparecem… 

Como o meu sentimento
Não desaparece,
Apenas aguarda pela Primavera… 

E nesse momento
Irá florescer,
Pétala a pétala… 

Vais sentir o pólen no ar,
Serás a abelha que irá voar
E em mim pousar… 

Carinhosamente
Serei o teu lar,
E tu serás o meu louvar…

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Descobre-me





Suspira-me
No ouvido,
Abriga-me
Num beijo comovido…


Eleva-me
Num piso,
Abraça-me
Num sorriso…


Desenha-me
Num gesto,
Descobre-me
Num manifesto…


Agarra-me
Nos teus pensamentos,
Exprime-me
Em dialectos ternurentos…

domingo, 8 de janeiro de 2012

És tu



Foto by Nuno Quintela

És como um sol que brilha
Na minha face,
És a minha ilha
Sem disfarce… 

És o meu alface,
Leguminosa de cor verde
Que do chão nasce,
E que nada se excede… 

És uma linha,
Um traço,
És uma adivinha,
O meu pedaço… 

És as palavras que me saem 
Do coração,
És as lágrimas que me caem
Na mão… 

És o farol
Á beira-mar,
És o rouxinol
Que ao meu ouvido vem cantar…

Unidos por palavras




Tens sido a companhia,
A brisa recheada 
De maresia…. 

As palavras da manhã,
A ponte
Para uma mente sã… 

O riso de uma graça,
Um sentimento
Que em nós se enlaça… 

Tudo se descalça
No momento
Em que abrimos a fonte… 

Não á nada que nos afronte,
Somos bravos guerreiros,
Cueiros… 

És a donzela,
Eu sou o arqueiro,
Com a força das palavras aniquilamos forasteiros… 



Modos






Nele me deito,
Num pretérito imperfeito,
Num poema inacabado,
Quase abreviado… 

Faltam letras,
Mas só me surgem tretas,
Mando-as pelas sarjetas,
A qualquer momento irão surgir as certas… 

Quando voares em meu redor,
A inspiração surgirá
No seu melhor,
E tudo melhorará… 

Tudo se transformará,
Tudo ficará
Num pretérito perfeito,
Serão palavras escritas no teu peito…

sábado, 7 de janeiro de 2012

Rafeiro (parte II)





...consequentemente
O destino mais uma vez
O tinha tramado… 

Não estava a espera,
Pois tinha sempre acreditado
Num sentimento sem embriaguez… 

Sem lucidez,
Queria esquecer,
Quiçá aprender… 

Num ápice tudo
Se pode desvanecer,
Pois não basta o querer… 

Prometeu nunca mais de iludir,
Nunca mais fugir
Do chão…

Nunca mais entregar em vão
Aquilo que ele pensa que sim
E outros pensam que não… 

O sono será profundo,
Até que o cheiro imundo
Se dissipe…

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Rafeiro




Passeava pelas ruas
Escuras,
Sem iluminação,
Um cão
Que tinha de nome
Rafeiro,
Outrora feliz,
Cheio de luz,
Com rabo em riste
A abanar de um lado para o outro,
Sem nada que o afligisse…
Mas os tempos mudaram,
Sentimentos que se adiaram,
Gestos que se apagaram,
Olhares que se dissiparam…
Não conseguia erguer a cabeça,
Derivado a um pungir
Com a direcção exacta…
Pobre cachorro
Só lhe apetecia fugir
Para um morro,
Hibernar profundamente
Sem pedir socorro,
Adormecer num choro
Sem coro,
Desaparecer fugazmente,
Sem nenhum sentimento
Adjacente….