Porque quem ama tem medo de perder...

Este blog é para quem gosta de amar, de lutar pelo que gosta...







segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Paradigma


Vejo-me aqui,
Ali,
Acolá. 

Eu sei lá
Onde estou,
Nem tão pouco
sei o que de mim restou. 

Ajo como um louco.
Não sei o que sou.
Não sei o que me levou
A este paradigma. 

Um enigma
Que tento resolver
Nestes dias que passam a correr.

sábado, 10 de novembro de 2012

Actor


É lindo,
É sinistro
esta ambição
que corre sem direcção. 

Diz que encontrou
o seu Amor.
Diz que lhe acenou
cheio de cor. 

A expectativa deu-lhe
ainda mais motivação.
De coração na mão
não abrandou. 

Mais tarde… 

De lágrimas na face
num enlace
com a dor. 

Chorava sem parar.
Ouvi-o gritar:
“Porque é que me deixei levar?
Amor, não passas de um actor
carregado de dor, de tristeza.
Sai da minha beira por favor.
Leva contigo essa beleza
disfarçada.
Prefiro ficar sem nada
do que andar
sempre a levar porrada.”

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Verdade



Exercício de hoje:
Olhar para uma parede branca, e, dizer cinco expressões que ela me transmite. Pegar nessas cinco expressões e construir um texto. Utilizar uma das expressões, procurar o antónimo dessa expressão e utilizar como título do texto. 


1-Ódio 
2-Irritação
3-Frustração
4-Mentira
5-Surreal 


Verdade 


Senti um grande ódio quando descobri. Quis esconder a irritação, mas não consegui. A frustração apoderou-se de mim. Penetrou-se-me na pele entupindo-me os poros. Necessito respirar. Aquela mentira construída com tantos detalhes, com tantos sentimentos, com tantos sonhos, era surreal. Como podia estar a acontecer tal coisa. Como poderia o meu coração deixar-se levar por isso? Penso que tenho de começar a pensar com a cabeça e deixar o coração falar depois, só quando conseguir que o cérbero tenha uma ligação bem nítida com o coração. Ai sim o coração pode falar. Mas ele que não se aproveite para se esticar, porque a cabeça vai lá estar. Sempre! 
(Será verdade aquilo que acabei de escrever? Será que alguma vez conseguirei agir desta maneira?)

Precipitação


Em que momento
é que te irritaste?
É que te iraste
sem fazer o devido julgamento? 

Estiveste quase a perceber,
a entender.
Mas não quiseste saber.
Prevaleceu a precipitação. 

De boca no coração
começaste a disparar.
Quando quiseste parar
não conseguiste.
(sente como foi dura a maneira como me atingiste.)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Copo





Sete e meia da manhã, ele despertou com barulho dos botões que fazem desactivar o alarme.
O Chefe Gil acabou de chegar. Era a hora de sentir as luzes a acender, a televisão a vomitar desgraças, os reformados a bater as peças de dominó na mesa. Sabem à pala disso, um dia estive para ir “com os porcos”, estava mesmo na ponta de uma mesa, não fosse o Chefe Gil a chegar-me para o centro da mesa e era uma vez. Podia dizer adeus ao estabelecimento que me acolheu desde o primeiro dia da minha vida. Abençoado sejas chefe Gil.
Eu era de vidro temperado, ondulado, com alguns riscos. 07X11Cms e com capacidade para 15cl. Estava ao lado de uns quantos outros que me invejavam por eu sentir as mãos mais delicadas, os lábios mais carnudos. Não é para me gabar mas era mesmo verdade.
Primeira cliente tinha acabado de entrar, era a Dona Herculina, ela nunca me tinha calhado na rifa, e não era hoje que isso iria acontecer. “Quero um galão bem quente e uma torrada com pouca manteiga. Não se esqueça que quero adoçante.” – disse ela numa voz que se arrastava ainda mais lenta que a do Gaspar.- Pelo olhar do Chefe deu para perceber o quanto era aborrecido “levar” com ela logo pela manhã. Mas por outro lado eram os clientes o sustento do estabelecimento. Reparei no chefe a estender a mão para cortar duas fatias do pão de forma e as colocar na torradeira. A torrada estava quase pronta, quando do nada aparece a mão do chefe a pegar em mim e a pôr-me debaixo de um bico de um manípulo da máquina de café. Enquanto o café banhava o meu corpo com um aroma a malte, eu rogava as mil pragas ao meu chefe. Era desta que a minha reputação ira por água abaixo. O café tinha parado. Era a vez de o leite escorregar pelo meu corpo e ganhar outra cor. Sentei o meu rabo a alapar-se num pires que não dava muita conversa. Vejam lá que nem me mandou o bitaite do costume: “Tens o rabo tão quente…” Depois foi a vez da colher se encostar a mim com um riso sarcástico pelo que se estava ali a passar.
O Chefe Gil colocou a torrada e eu próprio numa bandeja e levou-nos até à mesa da Dona Herculina. Foi ai que não podia ter ficado mais assustado. Ela tinha colocado batom nos lábios. VERMELHO! “Isto não me está a acontecer. Isto é um pesadelo.” – pensei eu muito irritado. -
Na televisão estava a “Querida Júlia”. Ela soltou um daqueles gritos que contem uns agudos, que nem o Fernando Pereira consegue imitar. Quase me desfazia em pedaços. Que dia este. Quando pensei que não podia ser pior, depois de A Dona Herculina mexer o adoçante com a colher que fazia troça de mim, ela pegou em mim abriu a boca, com aqueles lábios pintados de VERMELHO, e, foi então que reparei que ela não tinha trazido a prótese dentária. Mas que visão aquela. Não, não estejam com essa cara pois nem imaginam como é. Nem por sombras.
Depois de todo o líquido ingerido e a torrada mastigada, ali estava eu com a marca do batom VERMELHO, à espera que o Chefe Gil me levasse para a máquina de lavar com a máxima urgência. Finalmente pegou em mim e pelo caminho a colher continuava com aquele riso sarcástico. Deixa-te estar, eu vou falar com a máquina de lavar para arranjar maneira de não ficares bem lavada e depois vais para o lixo pelo teu mau aspecto. A tua hora chegará.

Depois de um banho bem quentinho a uma temperatura agradável, a máquina de lavar deu sinal ao Chefe de que tinha terminado o seu trabalho. Depois de umas discussões ocas sobre futebol, o Chefe Gil abriu a tampa da máquina de lavar loiça e aquele barulho típico de um café repleto de clientes absorveu todo este meu ser. A Dona Herculina já se tinha ido embora, porque, o canal da televisão já estava na Sic Noticias. No cesto retirado da máquina de lavar eu estava acompanhado pelas chávenas de café, outros copos de galão, pires e um cesto repleto de colheres. Com alguma rapidez o chefe começou a retirar os pires, o cesto das colheres e por fim as chávenas de café e os copos de galão. Ao arrumar os copos de galão com o rabo para cima, eu que tinha ficado para último fui chocar com o cesto das colheres, que fez com que escorregasse daquela mão áspera e calejada. Saltei três vezes pelo chão, até bater com violência contra a parede. Mesmo antes de me desfazer em cacos ouvi a colher a dizer “parte, parte”, e depois de me desfazer em cacos ouvi alguém a dizer: “Bingo!”

Agora, e, mais uma vez graças ao Chefe Gil por fazer reciclagem, isto é, graças a ele voltei a ser útil. Desta vez estou num lar de idosos. Continuo a ser um copo de galão.

Isto agora faz-me lembrar a Dona Herculina.

10, 9, 8, 7...


Mergulhei no fundo
deste mundo
infinito. 

Tanto é o conflito
que vai na minha mente
que me impede de ficar
consciente. 

Queria contar até dez
fazer desaparecer de vez
toda esta malvadez. 

Já vou em sete
e nada acontece.
Vou-me deixar ir.
Pode ser que isto te faça sorrir.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

À Tona



Não sei o que fazer
neste poço de mentiras
em que me deixei perder. 

Não sei qual delas
é a que mais admiras. 

Queres uma dica?
Acho que é a que me deixou
com mais sequelas,
Aquela que te deu pica. 

Mas o teu plano abortou.
Cedo ou tarde a merda vem ao de cima
como a inspiração desta rima
tão natural. Não falo mais. Ponto final.